Renda fixa lidera aportes enquanto ações vêem saída bilionária
Anbima – A indústria de fundos brasileira acumulou captação líquida de R$ 159,2 bilhões no primeiro trimestre, a melhor marca desde 2021, mesmo com desempenho abaixo dos principais índices de referência.
- Em resumo: entrada recorde conviveu com rentabilidade inferior ao CDI e ao Ibovespa.
R$ 130 bi buscam segurança: efeito Selic na escolha do investidor
Do total captado, R$ 130,3 bilhões migraram para fundos de renda fixa, evidenciando a preferência por produtos atrelados aos juros em meio à expectativa de cortes graduais da Selic. Segundo dados compilados pela Valor Econômico, o juro real brasileiro segue entre os mais altos do mundo, favorecendo a classe conservadora.
“É natural que carteiras mais defensivas fiquem atrás do CDI porque carregam custos internos”, comentou Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Gestores pressionados: baixa performance e o desafio de atrair novos aportes
Multimercados entregaram apenas 1,7% no período, enquanto fundos de ações renderam 10,7%, ante alta de 16,3% do Ibovespa. O cenário coincide com um mercado que, recentemente, vem precificando uma desaceleração econômica global e incertezas sobre a trajetória fiscal brasileira.
Historicamente, quando o Banco Central inicia ciclo de afrouxamento, produtos atrelados a renda variável tendem a recuperar fôlego. Contudo, a saída líquida de R$ 6,4 bilhões dos fundos de ações sugere que o investidor ainda aguarda sinais mais claros de recuperação dos lucros corporativos e de estabilidade fiscal.
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