Como os cortes na Selic espremeram as taxas, mas deixaram um prêmio generoso à inflação
Tesouro Direto – Dados divulgados recentemente revelam que, mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic para 14,75% ao ano, as taxas dos títulos públicos chegaram às mínimas de 2024, preservando, porém, juros reais superiores a 7% nos papéis atrelados ao IPCA.
- Em resumo: IPCA+ 2029 paga IPCA + 7,63%, enquanto prazos longos seguem acima de 6,8%.
IPCA+ sustenta prêmio robusto em meio a incertezas globais
A inclinação atual da curva indica que o investidor recebe mais no médio prazo, reflexo da expectativa de inflação persistente e do compasso de espera sobre o ritmo dos próximos cortes do Copom. Segundo dados compilados pela Bloomberg, o mercado já projeta Selic a 12,50% em dezembro, mas mantém cautela diante das tensões no Oriente Médio e da volatilidade do petróleo.
“O direcionador agora é a velocidade do Copom nos próximos encontros e o efeito de choques externos na percepção de risco local”, destacou André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Selic mais baixa favorece renda fixa, mas liquidez permanece vital
O Tesouro precisou recomprar R$ 21 bilhões em março para aliviar o estresse no mercado secundário — movimento que reforça a importância de ter caixa em Tesouro Selic, cuja taxa adicional gira em torno de 0,0453% ao ano. Historicamente, recuos na Selic elevam a atratividade de ativos de duração maior; porém, o juro real atual — cerca de 5 p.p. acima da média dos últimos dez anos — ainda garante colchão relevante contra oscilações inflacionárias.
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Crédito da imagem: Divulgação / Tesouro Nacional