Armazenamento vira peça-chave contra desperdício e falta de energia
Governo Federal – O primeiro “leilão de reserva de potência” do país, agendado para junho, promete remunerar empresas dispostas a construir fazendas de megabaterias e injetar 2 GW de energia estocada na rede, reduzindo o apagão diário que ocorre após o pôr do sol.
- Em resumo: custos de implantação caíram até 20%, viabilizando projetos que compram energia solar barata de dia e revendem à noite.
Do corte ao pico: como as baterias faturam duas vezes
No meio-dia brasileiro, painéis fotovoltaicos chegam a responder por 44% da geração, mas o ONS precisa desligar parte dessa oferta: 20% vira desperdício, o chamado curtailment. À noite, a lógica inverte e o sistema “implora” por eletricidade. A arbitragem hora a hora é o motor do negócio, tendência que se repete em mercados da Alemanha à Austrália, segundo estimativas da BloombergNEF.
“Chegamos a um ponto em que, toda vez que alguém avalia investir no sistema elétrico, as baterias são uma das opções mais atrativas”, afirmou Brent Wanner, da Agência Internacional de Energia.
Produção chinesa empurra preços e acelera adoção global
A oferta excedente de células de lítio na China, fruto de subsídios para veículos elétricos desde 2021, inundou o mercado e derrubou preços mesmo com a inflação de outras tecnologias limpas. O fenômeno ecoa o que aconteceu com os painéis solares após 2021: forte sobrecapacidade seguida de queda de preço e adoção em massa.
Prova desse efeito veio da australiana AGL Energy: um projeto autorizado seis meses depois do anterior custará metade por megawatt-hora. Já a Mongólia e a Escócia inauguram ou preparam parques que somam 3 GW, sinalizando que 2026 pode marcar o ano em que as baterias se consolidam como pilar da segurança energética global.
No Brasil, a redução do risco hídrico pós-crise de 2022 e o avanço da eletrificação de frotas criam demanda estrutural. Segundo o Banco Central, cada 1 ponto percentual de racionamento elétrico destrói 0,3 ponto do PIB. Armazenar excedentes solares pode, portanto, proteger crescimento econômico e manter tarifas sob controle.
O que você acha? O leilão será suficiente para equilibrar oferta e demanda ou precisaremos de novos incentivos? Para mais análises sobre transição energética, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Record