Setores caminham para temporada de resultados com cenário de risco elevado
Grandes bancos de investimento avaliam que os balanços do primeiro trimestre, que começam a ser divulgados nas próximas semanas, serão colocados à prova pela combinação de juros domésticos em 13,75% ao ano e pelos efeitos prolongados da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre preços e cadeias de suprimento.
- Em resumo: Finanças e energia devem mostrar resiliência; consumo e commodities, porém, encaram margens mais apertadas.
Juros altos corroem demanda e ampliam custo de capital
Na visão dos analistas, o patamar atual da Selic – maior desde 2017 – esfriou o apetite do consumidor e encareceu o crédito corporativo. Um relatório obtido pela Reuters destaca que cada ponto percentual extra na taxa básica remove até 0,3 ponto do crescimento do PIB, fator que tende a se refletir diretamente nas vendas do varejo e da indústria de bens duráveis.
“Esperamos queda de até 25% no lucro líquido das companhias de consumo discrecionário ante o 1T22, enquanto bancos devem crescer até 12% graças à margem financeira mais larga”, aponta trecho do estudo.
Conflito no Leste Europeu mexe com custos e receitas
O prolongamento da guerra completa mais de um ano e segue distorcendo preços de grãos, petróleo e fertilizantes. Embora o movimento favoreça exportadoras de óleo e gás, empresas de proteína animal e agroindústria sentem pressão nos insumos. O barril do Brent, ainda acima de US$ 75, reforça a geração de caixa das petroleiras, mas encarece logística para varejistas e transportadoras.
Analistas lembram que, em 2022, a Petrobras distribuiu mais de R$ 200 bilhões em dividendos graças a preços elevados; já neste trimestre, o fluxo de caixa deve moderar, mas permanecer robusto. No lado oposto, siderúrgicas enfrentam retração na demanda chinesa e recuo dos futuros do minério de ferro, o que deve reduzir a rentabilidade do segmento de commodities metálicas.
Além disso, a reabertura gradual da economia chinesa, a trajetória de juros nos Estados Unidos e possíveis cortes na Selic a partir do segundo semestre são variáveis que podem redefinir o humor dos investidores já no balanço seguinte.
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Crédito da imagem: Divulgação / Exame