Ganho potencial atrai capital estrangeiro, mas juros ainda preocupam investidores
Bank of America (BofA) ‒ Na última semana, o banco revisou sua projeção para o Ibovespa no fim do ano de 180 mil para 210 mil pontos, apostando em recuo do petróleo caso haja trégua no Oriente Médio e, consequentemente, espaço para a Selic encerrar 2026 em 13,25%.
- Em resumo: BofA vê valorização adicional de quase 17% para o índice, mas alerta que juros altos podem limitar lucros.
O que explica o salto de 30 mil pontos na estimativa
Segundo dados da Reuters, a cotação do Brent já recuou mais de 10% desde o pico de tensão no Oriente Médio. Para a equipe liderada por David Beker, petróleo mais barato reduz custos corporativos e ajuda o Banco Central a acelerar o ciclo de corte de juros.
“O preço sobre lucro (P/L) do Ibovespa pode atingir 11,3 vezes, acima da média histórica de 10,8 vezes, impulsionado por fluxos estrangeiros para emergentes”, estima o BofA.
Selic, fluxo estrangeiro e valuation: onde moram os riscos
Embora o índice acumule alta de 21% no ano, o desempenho médio dos papéis que o compõem é de apenas 13%. O BofA calcula crescimento de lucro por ação (LPA) de 27% para indústrias domésticas em 2026 e de 20% em 2027, mas reconhece risco baixista se a Selic permanecer elevada por mais tempo.
Analistas lembram que o IPCA segue acima da meta e que o Federal Reserve mantém discurso restritivo, fatores que podem limitar a entrada de capital estrangeiro. Ainda assim, ações de petróleo responderam por quase um terço do ganho em pontos do Ibovespa, sinalizando que, mesmo “não tão baratas”, empresas do setor seguem dominando o humor da bolsa brasileira.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images