Automação avança e folga vira estratégia contra o desemprego tecnológico
OpenAI – Em relatório divulgado neste mês, a criadora do ChatGPT defende que ganhos de produtividade gerados pela inteligência artificial sejam convertidos em semanas de 32 h, sem corte de salários, para amortecer o choque no mercado de trabalho.
- Em resumo: Big tech quer jornada menor, fundo de dividendos sociais e participação dos funcionários na adoção da IA.
Semana enxuta, mesmo nível de produção
O documento “Política Industrial para a Era da Inteligência” afirma que a automação de tarefas repetitivas pode permitir folgas adicionais, preservando a entrega das empresas. Experiências no Reino Unido e na Islândia já mostraram ganhos de bem-estar sem queda de produtividade, segundo dados compilados pela Reuters.
“Alguns empregos desaparecerão e setores inteiros serão remodelados em velocidade sem precedentes”, alerta o relatório da OpenAI.
Impacto macro: de custos trabalhistas a consumo das famílias
Para investidores, uma jornada menor poderia, a princípio, elevar custos salariais; porém, historicamente, reduções de horas — como a passagem de 48 h para 44 h no Brasil em 1988 — vieram acompanhadas de aumento de produtividade e expansão do consumo, compensando margens no médio prazo. Bancos centrais também monitoram o tema: mais renda disponível pode sustentar demanda em um cenário de aperto monetário prolongado nos EUA e na Europa.
O relatório ainda propõe um fundo que redistribua parte dos lucros da IA a toda a população, tese semelhante à defendida por economistas do FMI para suavizar desigualdades aceleradas pela tecnologia. Para pequenas empresas, a OpenAI sugere versões de baixo custo da IA, comparando a importância do acesso ao que foi a eletrificação no século XX.
O que você acha? A semana de 4 dias pode equilibrar empregos, lucros e produtividade ou criará novos desafios para as empresas? Para mais análises sobre mercado de trabalho e tecnologia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Yuichi Yamazaki / AFP