Inadimplências menores reposicionam o risco e abrem espaço para oportunidades
JGP Asset — Em transmissão Record, a gestora mostrou que os calotes de Ambipar, Raízen e GPA corroeram apenas 0,6% do IDEX desde setembro de 2025, impacto seis vezes inferior ao tombo de 3,69% causado por Americanas e Light em 2023. O dado resfria a preocupação com o crédito privado e pode alterar a estratégia de quem busca papéis de renda fixa corporativa.
- Em resumo: A abertura média de prêmio subiu só 44 pontos-base no ciclo atual, contra 91 pontos-base no biênio 2022-2023.
Ciclo atual: prêmios menores e dívida em atraso estável
Segundo Alexandre Muller, gestor da JGP, o Banco Central acompanha a relação entre dívida vencida e estoque total, métrica que se mantém em 3% desde 2024 — patamar bem comportado para padrões emergentes, de acordo com dados compilados pela Reuters. Essa estabilidade reforça que o mercado ainda não enfrenta um problema sistêmico.
“Esse dado é um horror. Ele não qualifica o estoque de dívida envolvido”, afirmou Muller, ao criticar o uso isolado do número de recuperações judiciais.
Resgates sob controle e janela de juros favorecem quem segura o papel
A base de fundos com mais da metade da carteira em crédito privado saltou de R$ 660 bi em 2023 para R$ 1,43 tri atualmente, mas os saques representam só 1,5% do patrimônio — abaixo dos 2% vistos no choque anterior. Com prazo médio de três anos, o IDEX recebe 2,78% ao mês em amortizações, fluxo capaz de cobrir saídas sem liquidações forçadas. Se o Copom mantiver a trajetória de cortes, os títulos corporativos indexados à inflação tendem a ganhar preço, ampliando o retorno real para quem permanecer posicionado.
O que você acha? A retração dos calotes muda seu apetite por crédito privado em 2026? Para análises diárias do setor, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Pexels