Descontos de até 90% acendem farol verde para fundos caçadores de barganhas
EY – Em novo levantamento divulgado recentemente, a consultoria apurou que 76% dos gestores dispostos a comprar carteiras inadimplentes no Brasil só topam o negócio se houver perspectiva de retorno mínimo de 20%, mesmo num ambiente de Selic alta e crédito travado.
- Em resumo: deságios entre 80% e 90% e promessa de ganhos de até 30% alimentam o mercado de ativos problemáticos.
Liquidez curta empurra empresas a vender “dívidas reprovadas”
Com 8,9 milhões de brasileiros inadimplentes e bancos relutantes em alongar linhas, companhias de agronegócio e varejo recorrem à venda de NPLs (non-performing loans) para gerar caixa imediato. Segundo a EY, liquidez foi o principal motivo apontado por 29% dos vendedores. O movimento ecoa o avanço global de fundos especializados em crédito estressado, que cresceram exponencialmente na esteira dos juros elevados.
76% dos entrevistados projetam retorno mínimo de 20%, e 38% visam superar 30%, mesmo pagando apenas 10% a 20% do valor de face dos créditos.
Impacto direto no custo de capital e na estratégia dos investidores
Ao aliviar balanços, a cessão de ativos problemáticos reduz provisões e pode destravar rating. Para os compradores, o prêmio embutido compensa o risco de execução num ciclo de juros possivelmente mais longo, já que o Banco Central sinaliza cortes graduais enquanto a inflação segue renitente. Historicamente, janelas parecidas em 2016 e 2020 renderam ganhos expressivos a quem tinha liquidez para bancar processos de recuperação judicial, recebíveis agrícolas e legal claims.
O que você acha? A onda de NPLs vai se consolidar ou murchar se os juros caírem mais rápido? Para acompanhar análises diárias sobre crédito e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / EY