Preço do barril encosta no maior patamar desde 2008 e ameaça custo dos combustíveis
Petróleo Brent – A cotação saltou 6,2% na última quarta-feira, alcançando US$ 125,36 por barril, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que o Estreito de Ormuz seguirá fechado, prolongando nove semanas de tensão no Golfo Pérsico.
- Em resumo: Com o bloqueio, o Brent já soma valorização de 79% desde fevereiro.
Estreito vital travado: risco de oferta curta até o verão do Hemisfério Norte
Responsável por escoar um quinto do petróleo comercializado no planeta, Ormuz continua sob vigilância militar norte-americana, e o Irã segue impedido de exportar normalmente. Segundo estimativas da Reuters, cerca de 18 milhões de barris/dia deixam de circular, comprometendo estocagens estratégicas e elevando prêmios de risco.
“Com o colapso das conversas entre EUA e Irã, o mercado perdeu a esperança de qualquer retomada rápida nos fluxos de petróleo”, escreveram Warren Patterson e Ewa Manthey, estrategistas do ING Bank.
Dólar forte, bolsas em baixa: efeito dominó atinge moedas e ações
No câmbio, o avanço da commodity reforçou a busca por ativos de segurança. O dólar renovou máxima de dois anos a ¥160,51, enquanto o euro cedeu para US$ 1,1663. Já nas bolsas, o Nikkei 225 caiu 1,6% e o Dow Jones recuou 0,6%, refletindo temores de inflação persistente e política monetária mais dura nos EUA.
Analistas lembram que em 2008, quando o Brent tocou US$ 147,50, o repasse aos combustíveis elevou o IPCA brasileiro em 1,5 ponto percentual. Se o preço atual se sustentar, o impacto pode ser ainda maior, pois a Petrobras adota paridade internacional e o câmbio continua pressionado. Além disso, o Banco Central tende a manter juros altos para ancorar expectativas, o que encarece crédito e freia consumo.
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Crédito da imagem: Getty Images via BBC