Taxa básica recua, mas bancos ainda seguram repasse integral ao consumidor
Banco Central (Copom) – Ao reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na última quarta-feira (29), o Comitê sinalizou alívio nos custos de crédito pelos próximos 45 dias, período até a reunião seguinte. Para quem pensa em abandonar o aluguel, porém, a vantagem não é automática.
- Em resumo: Financiamentos fora do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) continuam partindo de 10,65% ao ano, mesmo com a Selic em 14,5%.
MCMV x SBPE: o efeito prático do novo corte
No programa habitacional, as taxas seguem tabeladas — até 10% ao ano para a Faixa 4, válida para famílias com renda de até R$ 13 mil. Já nos contratos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), juros flutuam entre 10,65% e 14,68%, dependentes do relacionamento com o banco. Segundo dados compilados pela Reuters, a forte concentração bancária retarda o repasse da queda da Selic.
“Os compradores mais atentos tendem a agir antes que os juros caiam efetivamente”, observa Fabrício Schveitzer, conselheiro de estratégia do Sienge, alertando que esperar demais pode encarecer o imóvel diante de uma demanda futura aquecida.
Inflação, petróleo e eleição: variáveis que podem virar o jogo
O recuo da Selic ocorre enquanto projeções para a inflação de 2026 sobem devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que empurra o preço do petróleo para cima. Caso a pressão inflacionária persista, a Taxa Referencial (TR) — indexador dos financiamentos — tende a acompanhar, elevando as parcelas. Historicamente, cada 1 p.p. de aumento da TR pode elevar em até 6% o valor total pago numa hipoteca de 30 anos.
Além do cenário externo, incertezas fiscais locais e a proximidade do calendário eleitoral mantêm o setor imobiliário em compasso de espera. Ainda assim, planejadores recomendam avaliar:
- Sistema de amortização: SAC (parcelas decrescentes) ou Price (fixas, porém mais caras no fim);
- Custo de oportunidade: a rentabilidade que seu capital teria em aplicações indexadas à Selic;
- Portabilidade: só compensa se sua taxa atual superar 10% ao ano ou se precisar alongar prazos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central