Joalheiros correm para garantir a gema bicolor antes que estoques sequem
Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) — Em pleno aquecimento do mercado de joias coloridas, o ametrino voltou aos holofotes por exibir, no mesmo quartzo, o roxo da ametista e o dourado do citrino. A raridade, extraída quase exclusivamente da Mina Anahí, na Bolívia, tem provocado corrida de designers e investidores, impulsionando preços em feiras internacionais.
- Em resumo: Um único depósito sul-americano domina a oferta mundial da gema bicolor.
Dualidade química: por que apenas um lado do cristal “esquenta”?
A fusão de cores nasce de microvariações de temperatura durante a cristalização: onde o ferro oxida mais, surge o tom amarelo; onde oxida menos, aparece o violeta. É esse equilíbrio instável que eleva o valor — segundo dados compilados pela Bloomberg, gemas com contrastes naturais nítidos podem ser precificadas até 35% acima de peças monocromáticas.
Relatórios do IBGM indicam que menos de 1% dos cristais retirados da Mina Anahí apresentam divisão de cor perfeitamente reta, característica mais procurada por lapidadores de alta joalheria.
Impacto de oferta restrita nos preços globais de gemas coloridas
Com a Bolívia concentrando o suprimento, qualquer paralisação na mina repercute diretamente nas cotações internacionais. O Banco Central boliviano estima que as exportações de pedras preciosas responderam por 0,4% do PIB em 2023, uma fração, mas com alta margem de lucro. No Brasil, atacadistas registram avanço de 18% nas importações de ametrino em 12 meses, impulsionados pelo real mais forte e por colecionadores que enxergam na gema um ativo de diversificação.
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Crédito da imagem: Divulgação / Mina Anahí