Indicadores domésticos e sentimento global testam o apetite dos investidores
Banco Central – Nesta sexta-feira (24), a autarquia publica a Nota do Setor Externo de março e pode confirmar déficit em transações correntes de US$ 7,3 bilhões, valor que acende alerta no câmbio e no bolso de quem importa ou viaja ao exterior. A transmissão oficial dos números será feita pela Globo.
- Em resumo: Resultado da conta corrente, IPC-S da FGV e balanço da Usiminas (USIM5) dominam o pregão.
Déficit em foco: do câmbio à curva de juros
Relatório do Bradesco aposta em rombo de US$ 7,3 bi, mesmo com saldo comercial ainda positivo. Caso o número se confirme, a pressão sobre o real pode aumentar, colocando a política monetária na berlinda. Segundo levantamento da Reuters, cada alta de 1% no dólar costuma adicionar 3 p.b. à expectativa de IPCA em 12 meses.
Bradesco calcula que “o déficit de conta corrente voltará a 1,6% do PIB em 2026 se o ritmo de saídas em serviços e rendas não arrefecer”.
Usiminas divulga resultado enquanto Ibovespa corrige ganhos
Do lado corporativo, a Usiminas entrega balanço após o fechamento. A empresa vem de sequência de margens comprimidas pelo aço barato importado e pela desaceleração da construção civil. Qualquer surpresa positiva pode reaquecer as ações, que acumulam queda de 12% no ano, contra avanço de 5% do Ibovespa.
No índice, a correção de 0,78% ontem levou o patamar a 191.378 pontos. Analistas do Itaú BBA enxergam suportes técnicos em 188.100 e 184.300 pontos — níveis que, se perdidos, podem ampliar a realização e abrir espaço para juros futuros subirem.
Contexto internacional: confiança do consumidor dos EUA e IGAE do México
Às 11 h (de Brasília), sai a leitura final da confiança da Universidade de Michigan. O indicador serve como termômetro do consumo, responsável por cerca de 70% do PIB americano. Qualquer deterioração tende a alimentar apostas de corte de juros pelo Fed, jogando o dólar para baixo e beneficiando moedas emergentes como o real.
Mais cedo, o México publica o IGAE de fevereiro. O Bradesco espera crescimento parcial após a queda de janeiro, mas mantém projeção de recuo de 0,4% no PIB no 1º tri de 2026, sinal de que a locomotiva latino-americana ainda patina.
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Crédito da imagem: Vincent West / Reuters