Novo modelo põe em xeque a tradição dos motores V12 da marca
Ferrari – Poucas horas depois de apresentar em Roma o Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, a fabricante italiana viu as ações caírem 4,74% às 10h50 (Brasília) na Bolsa de Nova York, sinal de que o mercado teme um choque de identidade capaz de corroer margens e valor de marca de US$ 60 bilhões.
- Em resumo: Estreia do Luce joga os papéis a US$ 331,75, menor patamar em três semanas.
Performance extrema não convence Wall Street
Apesar de acelerar de 0 a 100 km/h em 2,5 s e ultrapassar 310 km/h, o modelo com quatro portas e cinco lugares é visto como “genérico” por analistas, que compararam o design a elétricos de produção em massa, segundo a Bloomberg.
“O ronco dos V8 e V12 sempre definiu a experiência Ferrari; sem isso, o prêmio de marca fica vulnerável”, resume uma nota do J.P. Morgan enviada a clientes.
Por que a guinada elétrica ameaça o valor de mercado
A mudança ocorre em meio à pressão regulatória da União Europeia para banir motores a combustão até 2035 e ao avanço de gigantes como Tesla e Porsche no segmento premium. Embora carros elétricos respondam por menos de 1% das vendas da Ferrari, o CAPEX anual já supera € 1 bilhão para eletrificação, o que pode reduzir a rentabilidade de 26% vista em 2023.
No curto prazo, investidores questionam se o tíquete médio do Luce — ainda mantido em sigilo — compensará a perda do apelo sonoro e mecânico que sustenta leilões milionários de modelos clássicos. A própria Ferrari admite que 40% das receitas vêm de colecionadores fiéis a motores aspirados.
O que você acha? A aura da Ferrari sobrevive sem o rugido dos cilindros ou os investidores têm razão em fugir? Para mais análises do mercado automotivo e de capitais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ferrari