Da colisão com Theia à mineração de gelo: o que está em jogo nas próximas missões
NASA – A agência norte-americana acelera o cronograma do programa Artemis e, ao mirar mistérios científicos antigos, também reacende o debate sobre quem lucrará primeiro com recursos lunares.
- Em resumo: Artemis II orbitará o satélite em breve; Artemis IV promete o primeiro pouso tripulado desde 1972 para coletar rochas “intocadas”.
Novo pouso tripulado promete amostras que faltaram à era Apollo
Entre as prioridades está confirmar se a Lua nasceu do impacto com o protoplaneta Theia há 4,5 bilhões de anos. Geólogos afirmam que fragmentos do manto lunar expostos em crateras profundas podem selar o debate – dados que não existiam quando os astronautas trouxeram 382 kg de rochas na década de 1970, segundo a Reuters.
“A chance de acessar material profundo, fresco e não alterado pode redefinir tudo o que sabemos sobre a formação da Terra e de seu satélite”, destaca um relatório interno da missão.
Água congelada: combustível para foguetes ou sonho distante?
A confirmação de gelo concentrado em crateras polares pode transformar a economia espacial. O polo sul, alvo prioritário das expedições, serviria como posto de abastecimento para missões a Marte: o gelo renderia hidrogênio para combustível e oxigênio para suporte de vida. Se as reservas forem dispersas, extrair o recurso exigirá tecnologia cara, o que pode adiar projetos de base permanente.
Campo magnético, lado oculto e o “efeito laboratório”
Os cientistas também buscam entender por que rochas da Apollo exibem magnetização se o núcleo lunar parece pequeno e frio demais para sustentar um dínamo por tempo prolongado. Amostras coletadas em regiões ainda não visitadas, inclusive no acidentado lado oculto, devem indicar quando o campo desapareceu – dado crucial para modelar a evolução térmica do satélite e, por tabela, da própria Terra.
A missão instalará uma nova rede de sismômetros para mapear o interior lunar. Esse “raio-X” poderá revelar bolsões de minerais estratégicos, interesse crescente de empresas privadas inscritas no programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), lançado em 2018 pelo governo dos EUA.
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Crédito da imagem: Divulgação / Nasa