Sem previsão de liberação, empresários veem cadeia de pagamentos ameaçada
Listo — A fintech especializada no setor automotivo mantém saques travados desde o ataque hacker de 27/5, situação que já afeta o capital de giro de micro e pequenos empreendedores e pressiona a reputação do sistema Pix.
- Em resumo: mais de 475 reclamações relatam valores de até R$ 30 mil bloqueados por até oito dias.
Entenda por que o saque foi suspenso
Após detectar uma fraude sistêmica, a companhia bloqueou preventivamente as transferências via Pix e TED, informando apenas “meios alternativos” aos usuários. Procurada, não detalhou a extensão do vazamento nem ofereceu prazo para normalização. Segundo o Banco Central, que monitora incidentes cibernéticos, a ação foi classificada como “evento cibernético ou fraude”.
Em 2026, o BC registrou 33 incidentes de segurança até maio; 25 foram fraudes — o maior número já visto para o período.
Fraudes no Pix batem recorde e pressionam regulador
O episódio da Listo ocorre em um ambiente de aumento explosivo das transações instantâneas: somente em 2025, o Pix movimentou R$ 17,7 tri, 75% acima do ano anterior, de acordo com dados públicos do BC. O sucesso do meio de pagamento, porém, virou alvo: ataques desviaram cerca de R$ 1,5 bi de instituições no ano passado, incluindo a invasão à C&M Software, considerada a maior já registrada no país.
Para conter o risco sistêmico, o regulador ampliou exigências de capital para fintechs de crédito e impôs prazos mais rígidos para reporte de incidentes. Especialistas alertam que novas regras podem elevar custos operacionais, mas são vitais para preservar confiança de lojistas que dependem de liquidez diária — caso dos clientes da Listo que agora acumulam boletos, salários e fornecedores em atraso.
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Crédito da imagem: Divulgação / Canva