Escassez de pigmento pressiona custos e pode chegar ao bolso do consumidor
Calbee Inc. – A fabricante japonesa de snacks anunciou, em comunicado recente, que 14 produtos ganharão rótulos em preto e branco a partir de 25 de maio, medida que busca driblar a falta de um insumo petroquímico utilizado na tinta colorida, cujo fornecimento foi interrompido pela escalada do conflito no Irã.
- Em resumo: visual monocromático ajuda a manter prateleiras abastecidas enquanto a cadeia petroquímica sofre choques de oferta.
Conflito no Oriente Médio encarece a cadeia petroquímica
O gargalo surgiu após novos bloqueios no Estreito de Ormuz, rota que escoa cerca de 20% do petróleo mundial. O encarecimento da nafta, base para tintas e plásticos, já eleva custos em toda a Ásia, de acordo com dados compilados pela Reuters. Para o Japão, país que importa quase 100% de seu petróleo, qualquer distorção logística derruba margens das indústrias de alimentos embalados.
“Esta medida visa ajudar a manter um fornecimento estável de produtos”, informou a Calbee.
Efeito dominó: de rótulos sem cor a possível repasse de preços
Especialistas em varejo lembram que embalagens respondem por até 8% do custo final de snacks no Japão. Se a cotação da nafta permanecer pressionada, parte desse aumento tende a ser repassada aos consumidores em forma de reajustes ou redução de gramatura. Em 2023, crise semelhante elevou o custo médio da resina PET em 17%, segundo levantamento da Japan Petrochemical Association.
Além do impacto visual para quem consome as batatas “usu shio” ou os chips de camarão “kappa ebisen”, o movimento alinha-se ao plano estratégico divulgado em março pela companhia, que prioriza agilidade diante de riscos geopolíticos. O Banco do Japão, por sua vez, monitora eventuais repasses sobre o índice de preços ao consumidor, que já opera acima da meta de 2% há sete meses consecutivos.
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Crédito da imagem: NNN-NTV via AP