Efeito cascata dos títulos norte-americanos pressiona a curva brasileira de ponta a ponta
B3 – A sessão da última terça-feira (19) terminou com a curva de Depósitos Interfinanceiros avançando por todo o espectro, contaminada pelo salto nos Treasuries dos EUA e pelo novo ruído político em torno do senador Flávio Bolsonaro, que reacendeu a busca por prêmio de risco no mercado local.
- Em resumo: DIs de 2029 dispararam 12 pontos-base, enquanto o contrato de 2036 subiu 13 p.b., acompanhando o maior yield dos Treasuries de 10 anos desde 2025.
Treasureis em pico histórico ditam o ritmo global
O rendimento do Treasury de dez anos bateu 4,687% durante o pregão, nível que não era visto desde janeiro de 2025, reforçando a percepção de juros altos por mais tempo nos EUA. Segundo a Bloomberg, o mercado já embute a chance majoritária de um novo aperto pelo Federal Reserve em dezembro.
DI jan/29 fechou a 14,115%, +12 p.b.; DI jan/36 foi a 14,315%, +13 p.b. As taxas curtas seguiram estáveis, em 14,140% para jan/27.
Política doméstica adiciona volatilidade à ponta longa
No Brasil, investidores precificam o chamado “risco Flávio” após pesquisa AtlasIntel revelar queda de seis pontos na intenção de voto do senador. O episódio elevou a aversão a incertezas fiscais futuras, justamente quando o Congresso discute o arcabouço que substituirá o teto de gastos.
Analistas lembram que, com o petróleo Brent acima de US$ 100 e a inflação de serviços resiliente, o Banco Central tende a calibrar com cautela qualquer corte da Selic, hoje em dois dígitos. A combinação de prêmio externo elevado e ruído interno ajuda a explicar o avanço de mais de 30 p.b. acumulado pelos vértices longos só neste mês.
O que você acha? A pressão sobre a curva já antecipa um ciclo de juros mais longo ou ainda há espaço para alívio? Para mais análises e notícias do mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central