Mudança na carga horária pode afetar shoppings e investidores
Multiplan – Em nota divulgada recentemente, o CEO Eduardo Peres afirmou que a proposta de encurtar a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais acende um sinal vermelho sobre produtividade, repasses de custos e rentabilidade dos shoppings centers.
- Em resumo: Peres teme perda de competitividade e alta de custos operacionais se a jornada 6×1 for abolida.
Por que 4 horas a menos geram tanta preocupação?
Segundo o executivo, a experiência internacional indica que ganhos salariais não compensados por eficiência pressionam preços e podem reduzir contratações. Estudo recente citado pela Bloomberg mostra que, em 2023, cada ponto percentual de queda na produtividade industrial brasileira tirou 0,2 ponto do crescimento do PIB.
“Nenhum país evolui trabalhando menos”, cravou Eduardo Peres ao comentar o projeto que tramita na Câmara.
Produtividade, arrecadação e risco fiscal: efeitos em cadeia
Analistas calculam que a migração para 40 horas demandaria, no curto prazo, até 10% a mais de mão de obra em setores intensivos em serviço, como varejo e shoppings. Em plena discussão sobre ajuste fiscal, isso ampliaria custos para as empresas e pressionaria a arrecadação, já que menos horas trabalhadas significam menor massa salarial tributada.
Histórico recente reforça a cautela: após a Reforma Trabalhista de 2017, o varejo viu o custo médio por empregado recuar 4%, ajudando na expansão de 1,5 milhão de m² em ABL (Área Bruta Locável) no país, de acordo com dados da Abrasce. Um aperto na produtividade agora pode desacelerar novos projetos de shopping e esfriar, inclusive, dividendos distribuídos pela Multiplan, tradicional pagadora no setor.
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Crédito da imagem: Divulgação / Multiplan