Gestoras controlam 40% das ações e pressionam conselho
Lululemon Athletica – A fabricante canadense de roupas esportivas enfrenta, desde a semana passada, uma batalha societária que pode redefinir sua estratégia global: os gigantes de Wall Street, liderados por BlackRock e Vanguard, vão decidir se o fundador, Chip Wilson, volta a ter voz ativa na companhia após mais de uma década afastado.
- Em resumo: fundos que concentram quase metade do free float votarão se aceitam a indicação de Wilson para o conselho.
Como Chip Wilson tenta reconquistar poder
Detentor de aproximadamente 9% do capital, Wilson acusa o atual board de “desviar a Lululemon de suas raízes em bem-estar” e articulou uma lista alternativa de conselheiros. Segundo dados da Bloomberg, o empresário precisa de 50% mais um dos votos na assembleia marcada para 5 de junho.
Wilson deixou o conselho em 2013, alegando conflitos de interesse; desde então, a receita da Lululemon saltou de US$ 1,6 bilhão para US$ 8,1 bilhões anuais.
Por que Wall Street se importa com a briga
A disputa ocorre num momento em que o mercado de “athleisure” cresce 8% ao ano e a ação da LULU acumula valorização superior a 400% nos últimos cinco anos, superando Nike e Adidas no período. Qualquer mudança no conselho pode alterar o plano de expansão na Ásia, onde a empresa já fatura quase US$ 1 bilhão, e impactar o guidance de margem bruta – hoje em 56%, um dos mais altos do setor.
Analistas apontam ainda que, com as taxas de juros dos EUA estáveis entre 5,25% e 5,50%, investidores institucionais buscam companhias com fluxo de caixa robusto. Caso Wilson imponha cortes de preços, o free cash flow, estimado em US$ 1,6 bilhão para 2024, pode recuar e afetar a distribuição de dividendos extraordinários prevista para o segundo semestre.
O que você acha? A influência de grandes gestoras deve prevalecer ou o fundador merece uma segunda chance? Para mais análises sobre disputas societárias e mercado de varejo global, acesse nossa editoria de Negócios.
Crédito da imagem: Divulgação / Lululemon