Entenda por que o novo acordo redefine a logística de última milha nos EUA
Amazon — Em negociação selada recentemente, a gigante do e-commerce garantiu que 80% de suas entregas continuarão passando pelo Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), sustentando um fluxo superior a 1 bilhão de pacotes anuais e, de quebra, injetando fôlego em uma agência que alertou o Congresso sobre possível insolvência no início de 2025.
- Em resumo: o contrato evita que o USPS perca sua principal fonte de receita justamente no momento em que acumula déficits há anos.
USPS respira, mas segue sob vigilância do Congresso
Sem receber subsídios federais, o USPS amargou prejuízo líquido de US$ 6,5 bilhões em 2023, segundo dados compilados pela Reuters. A extensão do limite de endividamento, solicitada pelo diretor-geral David Steiner, ainda aguarda sinal verde parlamentar.
O novo compromisso preserva cerca de 80% do volume atual de remessas da Amazon — mais de 1 bilhão de pacotes ao ano, segundo pessoas a par das tratativas.
Por que a Amazon também não pode abrir mão do carteiro
A empresa de Jeff Bezos já investiu US$ 4 bilhões para acelerar a entrega em zonas rurais, prevendo 200 centros regionais até dezembro. Ainda assim, replicar a capilaridade nacional do USPS exigiria décadas e dezenas de bilhões extras. A agência estatal cobre a chamada “última milha” em locais onde transportadoras privadas declinam por falta de escala econômica, preservando a promessa de entrega rápida que sustenta a tese de crescimento da companhia junto a acionistas.
Analistas lembram que, sempre que o serviço postal de um país patina financeiramente, grandes players privados ganham poder de barganha — fenômeno já observado no Canadá e em partes da Europa. Para investidores brasileiros, o caso serve de alerta: a sobrevivência dos Correios locais pode acabar nas mãos de contratantes estratégicos caso reformas estruturais não avancem.
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Crédito da imagem: Divulgação / USPS