Estratégia de poucos papéis e garantias exóticas para capturar prêmios máximos
Root Capital – A gestora de crédito que administra R$ 8 bilhões vê no atual ciclo de juros altos a ante-sala de uma “safra rara” de oportunidades em 2026, ao adotar garantias pouco convencionais e concentrar o portfólio em até 50 títulos.
- Em resumo: correia transportadora da Samarco virou trunfo jurídico que acelerou o recebimento de R$ 300 milhões com juros.
Correia da Samarco: quando o bem sem mercado trava US$ 500 mi de dividendos
No caso que virou aula magna no Stock Pickers, a Root comprou parte da dívida de US$ 3 bilhões da Samarco e se ancorou em um colateral inusitado: a correia que leva minério ao porto. Embora valha pouco isoladamente, o equipamento sustenta US$ 500 milhões anuais de dividendos. A simples ameaça de execução colocou a gestora no centro das negociações — e resultou no pagamento integral do débito.
“É humanamente impossível acompanhar 150 papéis. E não existem 150 papéis bons no Brasil”, reforça Rafael Fritsch, CIO da Root Capital.
O método de “garantia que dói no coração do devedor” contrasta com fundos tradicionais, que costumam pulverizar risco em até 150 ativos. Ao manter posições concentradas, a Root diz conseguir monitorar cada linha de crédito em tempo real e reagir antes do mercado.
Selic elevada hoje, janelas gordas amanhã: a leitura para 2026
A taxa Selic acima de 13% estrangulou o caixa de empresas endividadas e elevou o estoque de ativos descontados. Segundo dados compilados pela Reuters, os juros reais brasileiros estão entre os maiores do mundo, o que pressiona balanços, mas também aumenta o prêmio de risco oferecido a quem financia essas companhias.
Para Fritsch, 2026 deve marcar o “pivô” entre o fim do aperto monetário e a retomada dos investimentos produtivos. Na prática, quem entrar agora em créditos bem garantidos pode capturar taxas anuais de dois dígitos mesmo após um eventual afrouxamento do Copom. Historicamente, ciclos de queda de juros no Brasil elevam o valor de mercado de papéis de dívida corporativa adquiridos nos picos de aperto.
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Crédito da imagem: Divulgação / Root Capital