Batalha entre capital estrangeiro e crise de crédito acirra disputa por barganhas na B3
B3 – Recentemente, o fluxo de investidores internacionais ganhou força ao enxergar múltiplos comprimidos no Ibovespa, mesmo enquanto companhias brasileiras correm para renegociar passivos em um ambiente de juros a 14% ao ano.
- Em resumo: índice opera próximo ao piso de cinco anos, atraindo dólares apesar de alerta de solvência em gigantes locais;
- refinanciamentos agressivos indicam que o estresse no crédito já chegou às líderes de mercado, segundo gestores.
Juros de 14%: pressão que faz controladores venderem ativos
O custo de carregamento disparou e obrigou nomes como Cosan, Via Varejo e CSN a considerar a venda de participações para honrar compromissos, relataram gestores no programa AfterMarket. Dados compilados pela agência Reuters mostram que o prêmio pago por empresas brasileiras em relação aos Treasuries voltou ao patamar de 2018.
“Temos cinco ou seis companhias dominantes reduzindo dívida com haircut elevado; se o problema chega às grandes, o risco para as médias é ainda maior”, alertou Christian Keleti, da Alpha Key.
Descontos chamam atenção, mas nem todo ‘bargain’ é oportunidade
Levantamento da Alpha Key revela que 12 setores do Ibovespa negociam no piso de múltiplos desde 2019. Ainda assim, projeções revisadas para baixo em varejo e consumo de baixa renda reduzem o potencial de upside real. Por outro lado, líderes pouco alavancadas, como Localiza — que caiu de 25-30 vezes lucro para cerca de 10 vezes — e Mills, alvo de oferta de US$ 500 milhões de um grupo francês, ilustram a assimetria buscada pelos estrangeiros.
No pano de fundo, o Banco Central sinaliza que cortes de Selic poderão ser mais lentos caso a inflação de expectativas não converja para a meta, o que mantém o debate sobre custo de capital elevado no médio prazo. Segundo dados do IIF, só em abril o fluxo líquido para emergentes somou US$ 17 bilhões, e o Brasil levou a maior fatia, reforçando a narrativa de “value trade”.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS – Amanda Perobelli