Escalada geopolítica embaralha aposta de corte na Selic
Banco Central do Brasil – A curva de juros futuros brasileira ganhou inclinação nesta segunda-feira (6), com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saltando à máxima de 14,170%. O movimento, puxado pela instabilidade no Oriente Médio, aumenta o custo de financiamento e dificulta qualquer folga na política monetária.
- Em resumo: DI 2027 crava 14,17% e eleva o piso para as próximas decisões do Copom.
Risco Irã empurra prêmios e derruba Treasuries
A recusa dos Estados Unidos e do Irã a um cessar-fogo de 45 dias fez o mercado global buscar proteção. Enquanto os yields dos Treasuries de dez anos caíram para 4,337%, os DIs locais avançaram, refletindo a percepção de maior prêmio de risco. Segundo a Reuters, a retórica de Washington sobre “eliminar o Irã em uma noite” intensificou o estresse nos preços de commodities e câmbio.
DI jan/2029 encerrou a 13,725%, e DI jan/2036 passou a 13,820%, ambas nas máximas intradia.
Subsídio ao diesel e Focus mais salgado agravam pressão
Para conter impactos imediatos na inflação, o governo prometeu R$ 0,80 por litro em subvenção ao diesel nacional e zerou PIS/Cofins do querosene de aviação. Embora alivie bombas e passagens aéreas, a medida pode elevar o déficit fiscal e, por tabela, a percepção de risco-país — vetor que se traduz em prêmios maiores na curva.
No Boletim Focus, economistas elevaram a projeção do IPCA de 2026 para 4,36%, mantendo a Selic de 2024 em 12,50%. O mercado de opções de Copom, na B3, já atribui menos de 50% de chance de corte de 25 pontos-base, sinalizando que o patamar de 14,75% ao ano pode resistir por mais tempo que o previsto.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil