IEA vê risco de inflação global disparar com oferta de óleo estrangulada
Agência Internacional de Energia (IEA) – Em entrevista recente, o diretor Fatih Birol classificou o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz como a pior ruptura no fornecimento de petróleo e gás “mais grave que 1973, 1979 e 2022 juntas”, sinalizando pressão imediata nos preços e no custo de vida em todo o planeta.
- Em resumo: o gargalo afeta 20% do fluxo global de petróleo e já eleva cotações e expectativas de inflação.
Por que o Estreito de Ormuz é o ponto-chave do mercado de óleo?
O corredor marítimo de apenas 39 km de largura é rota de exportação para produtores como Arábia Saudita, Emirados e Iraque. Segundo levantamento da Bloomberg, mais de 17 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo local. Qualquer interrupção comprime a oferta mundial em poucas horas.
“O mundo nunca enfrentou uma interrupção no fornecimento de energia de tal magnitude”, destacou Birol na conversa com o jornal francês Le Figaro.
Inflação, juros e emergentes: quem sente o primeiro impacto
Economias desenvolvidas contam com reservas estratégicas – parte já liberada pela IEA – mas países emergentes enfrentam dupla pressão: encarecimento do barril e do gás natural eleva custos de transporte, energia elétrica e alimentos. Em crises anteriores, como o choque de 1979, a inflação norte-americana saltou de 9% para 13% em 12 meses; algo semelhante pode voltar ao radar dos bancos centrais em 2024.
Além disso, o Brent já opera acima de US$ 90 e analistas da Reuters projetam US$ 100 caso o bloqueio persista. Taxas de juros podem permanecer altas por mais tempo, atrasando cortes esperados e encarecendo o crédito, sobretudo em nações que dependem de commodities importadas.
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Crédito da imagem: Divulgação / IEA