Cancelamentos em série escancaram a força da demanda reprimida por relógios de luxo
Swatch Group – A gigante suíça viu seu novo relógio de bolso em parceria com a Audemars Piguet travar shoppings de Dubai a Nova York, forçando lojas a fecharem as portas em plena estreia e expondo um ágio imediato que ultrapassa 150% no mercado de revenda.
- Em resumo: modelo de US$ 400 já aparece anunciado por mais de € 1.000 e fez a ação da Swatch subir 15% antes de realizar ganhos.
Caos calculado: quando a escassez vira ferramenta de marketing
A decisão de suspender as vendas em pontos estratégicos veio após aglomerações que lembraram o lançamento do MoonSwatch em 2022. Segundo a Bloomberg, as próprias autoridades recomendaram o cancelamento temporário para evitar riscos de segurança pública.
“Para garantir a segurança de nossos clientes e funcionários, pedimos que não se dirijam às lojas em grandes grupos”, comunicou a Swatch nas redes sociais.
Por que investidores ficam de olho até em um relógio de € 400?
Não se trata só de coleção. A Swatch é listada na SIX e vinha sofrendo com o esfriamento das exportações suíças de relógios, que recuaram 3,1% em abril, segundo a Federation of the Swiss Watch Industry. Cada collab bem-sucedida vira argumento de crescimento em mercados emergentes e mantém a marca nos holofotes de uma geração que prefere smartphones ao pulso. Ao mesmo tempo, a Audemars Piguet encontra um atalho para ampliar awareness sem abrir mão da linha premium Royal Oak, hoje com lista de espera de mais de um ano.
No curto prazo, a valorização das ações reflete expectativa de margens gordas: além da venda direta, a companhia captura royalties sobre a febre de acessórios – fabricantes independentes já anunciam pulseiras alternativas para transformar o bolso em pulso. Para o consumidor comum, o temor de ficar sem o item alavanca as compras por impulso e sustenta o ágio nas plataformas de revenda, como Chrono24 e eBay.
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Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg