Investigação escancara rede paralela de pagamentos e mistura ilegal de combustíveis
Receita Federal – Em nova ofensiva anunciada em 28 de março, o Fisco e o Ministério Público de São Paulo avançaram sobre seis fintechs ligadas a um megaesquema de sonegação, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, movimentação que, segundo os investigadores, supera R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.
- Em resumo: contas “bolsão” turbinavam depósitos em espécie e criptomoedas para esconder a origem do dinheiro.
Fintechs operavam como “bancos paralelos”
Auditores constataram que as startups de pagamento centralizavam repasses entre distribuidoras, postos e fundos de investimento do grupo. Reportagem da Reuters detalha o cerco às fraudes tributárias, reforçando que uma das fintechs recebeu mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, prática considerada atípica para o setor regulado.
As seis fintechs somaram R$ 26 bilhões em transações; apenas três declararam R$ 8 bilhões à e-Financeira, enquanto as demais serão autuadas por omissão, afirmam os investigadores.
Adulteração de combustíveis amplia rombo fiscal
Paralelamente, a força-tarefa rastreia a mistura ilegal de nafta petroquímica a combustíveis automotivos, manobra que já teria sonegado R$ 200 milhões em tributos. Parte dos lucros irrigava quatro fundos que saltaram para R$ 205 milhões em patrimônio, avanço de mais de 200% em apenas um ano.
Por que o caso acende alerta em todo o mercado de pagamentos?
Além de reforçar o rigor regulatório, a operação ocorre num momento em que o ecossistema de fintechs ganha escala recorde: dados do Banco Central mostram que o volume transacionado via instituições de pagamento, impulsionado pelo Pix, alcançou R$ 17,2 trilhões em 2023. Qualquer desvio de conduta, portanto, espalha risco sistêmico e pressiona o custo de compliance de todo o setor.
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Crédito da imagem: Divulgação / Receita Federal