Exportadores veem margens evaporar com rotas marítimas travadas
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) — Dados recentes indicam que o custo de enviar carne bovina para o Oriente Médio praticamente triplicou após a escalada militar iraniana, impondo forte pressão de caixa às empresas brasileiras do setor.
- Em resumo: Frete de US$ 2,8 mil saltou para até US$ 7 mil por contêiner refrigerado.
Estreito de Ormuz vira gargalo logístico global
O encarecimento decorre do redirecionamento de navios e do aumento de seguro contra risco de guerra na principal passagem marítima da região. De acordo com levantamento da Reuters, transportadoras vêm aplicando sobretaxas de emergência semelhantes às vistas durante a crise do Mar Vermelho no início de 2024.
“O frete marítimo por contêiner refrigerado saltou de cerca de US$ 2.800 para até US$ 7.000”, segundo levantamento da Abiec divulgado esta semana.
Queda nas vendas já chega a 20% e ameaça fluxo de caixa
Em março, os embarques de carne bovina brasileira ao Oriente Médio recuaram 20,5% para 18.220 toneladas, derrubando a receita do mês para US$ 115,6 milhões. Entre os principais destinos, Emirados Árabes Unidos (-49,5%) e Catar (-55,3%) lideraram a retração.
A pressão não se limitou à bovinocultura. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apurou queda de 19% nos volumes de frango remetidos à região, apesar do recorde histórico de US$ 944,7 milhões em vendas globais no mês passado. A resiliência do câmbio — o dólar se mantém acima de R$ 5,00 — ameniza parte da perda, mas o repasse integral ao consumidor interno segue improvável.
Analistas lembram que o Freightos Baltic Index, termômetro dos contêineres, subiu quase 40% desde fevereiro, sinalizando que o custo elevado pode perdurar enquanto persistirem as tensões geopolíticas e o risco de bloqueios navais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Abiec