Relatório expõe avanço do crédito rotativo e atraso em contas essenciais
Datafolha — Em levantamento realizado entre 8 e 9 de abril de 2026, o instituto revela que o endividamento atinge níveis inéditos e já contamina até relações pessoais, com potencial de frear o consumo e pressionar a economia doméstica.
- Em resumo: 2 em cada 3 brasileiros carregam dívidas; 41% não devolveram valores emprestados por amigos ou parentes.
Crédito rotativo ainda é o vilão do orçamento
Mesmo após duas quedas consecutivas na Selic, o juro rotativo segue insustentável. Entre os entrevistados, 27% recorrem à modalidade; 5% fazem isso com frequência. No cartão de crédito, 29% dos endividados estão inadimplentes, superando empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%). Em relatório recente, o Boletim Focus do Banco Central indica que a taxa média do rotativo ultrapassa 400% ao ano.
“45% da população vive sob forte pressão econômica: 27% em situação ‘apertada’ e 18% em condição ‘severa’”, destaca a pesquisa.
Inflação sob controle não alivia o sufoco das famílias
Embora o IPCA tenha se mantido dentro do intervalo da meta — entre 3,5% e 4,5% nos últimos 12 meses, segundo dados oficiais — o orçamento das famílias continua comprimido. O estudo mostra que 64% cortaram lazer, 52% reduziram a compra de alimentos e metade atrasou contas de água, luz e gás. A combinação de renda estagnada e crédito caro neutraliza o efeito dos cortes na taxa básica iniciados em 2023.
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Crédito da imagem: Divulgação / Datafolha