Nova regra quer afastar gordura e açúcar disfarçados do seu carrinho
Câmara dos Deputados – O avanço do projeto que eleva para 35% o mínimo de cacau nos chocolates pode chacoalhar a indústria antes mesmo da votação no Senado, colocando em xeque ovos de Páscoa e bombons que hoje entregam mais gordura e açúcar do que fruto do cacaueiro.
- Em resumo: rótulos deverão exibir na frente o teor de cacau, acabando com “sabor chocolate” travestido de chocolate real.
Por que o cacau sumiu do chocolate brasileiro?
Desde a praga vassoura-de-bruxa, que derrubou em quase 80% a colheita baiana entre 1985 e 1999, a indústria recorre a substitutos baratos como óleo de palma e pó de cacau para segurar custos. A escalada recente das cotações, que segundo a Reuters acumula saltos de dois dígitos somente neste ano, amplia a diferença entre produtos premium e populares.
“Sim, o chocolate piorou. Isso é realidade”, afirma Luciana Monteiro, ex-Barry Callebaut e consultora da Ara Cacao.
Impacto no bolso e oportunidade para produtores
Na prateleira, a mudança tende a encarecer barras baratas, mas abre espaço para cacau nacional de qualidade. O Brasil, sexto maior produtor, exporta apenas 3% como cacau fino, um mercado que paga prêmios superiores a 40% na tonelada. Se o texto virar lei, fazendas que investem em fermentação e secagem controladas podem capturar essa diferença, enquanto gigantes terão de repensar fórmulas ou reduzir margens.
Para o consumidor, a conta é simples: ler o rótulo. Se açúcar aparece antes de cacau ou se há aromatizante, o produto provavelmente não atenderá ao novo patamar. Especialistas sugerem trocar quantidade por qualidade – uma barra bean-to-bar de 80 g custa em média R$ 30, ante R$ 10 de marcas de massa, mas entrega mais sabor e menos ultraprocessamento.
O que você acha? Você pagaria mais por um chocolate com cacau de verdade? Para mais dicas de consumo consciente, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images