Moeda norte-americana vira referência de preço até para quem continua sendo pago em pesos
Peso cubano – Nas ruas de Havana, placas improvisadas exibem cotações do dia e estabelecimentos já aceitam pagamentos mistos, evidenciando como a circulação do dólar ganhou fôlego e pressiona o bolso da população em meio à pior crise econômica da ilha em três décadas.
- Em resumo: a dolarização informal transforma hábitos de consumo, encarece bens básicos e aprofunda a divisão entre quem tem acesso à moeda forte e quem depende apenas do CUP.
Mercado de rua dita câmbio a 300 CUP por dólar
Na prática, o câmbio paralelo – hoje em torno de 300 pesos por dólar, segundo levantamento da Reuters – já é o termômetro que baliza preços de alimentos e serviços. Como o governo mantém uma taxa oficial muito inferior, o descompasso fomentou um mercado negro de notas verdes que cresce à vista de todos.
“Podem pagar em pesos cubanos ou em dólares.” A frase, repetida em restaurantes e serviços de Havana, simboliza a nova lógica de caixa que se propaga de forma silenciosa, porém irreversível.
Crise de oferta e retração do PIB alimentam corrida ao dólar
Além da escassez crônica de produtos, Cuba atravessou uma contração aproximada de 2% do PIB em 2023, agravada pela menor entrada de turistas e pelas sanções externas. O resultado é um cenário em que a moeda local perde valor diariamente e o dólar funciona como reserva imediata de poder de compra, fenômeno semelhante ao que ocorreu na Argentina nos anos 1990 e na Venezuela na última década.
Especialistas apontam que, sem reforma fiscal e aumento das reservas cambiais, a dolarização de fato – ainda que não oficial – tende a ganhar corpo, elevando custos de importação e criando uma dupla economia: a dolarizada, com acesso a mercadorias, e a em pesos, restrita ao mercado racionado estatal.
O que você acha? A dolarização informal pode forçar o governo cubano a liberar o câmbio ou trará mais distorções? Para acompanhar análises sobre moedas e mercados emergentes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Rafaella Ramos