Corrida bilionária faz da China o novo polo de terapias contra câncer e obesidade
Pfizer – Em recente visita a Shenyang, a gigante norte-americana desembolsou US$ 1,25 bilhão para licenciar um fármaco oncológico da 3SBio, sinalizando ao mercado que a próxima geração de medicamentos pode vir, e em escala, de laboratórios chineses.
- Em resumo: acordos entre ocidentais e biotechs da China já liberaram US$ 5,6 bi adiantados, só no último ano, segundo a Evaluate.
Oncologia puxa fila de acordos e reduz custo de P&D
Para escapar da queda de receitas após o vencimento de patentes, Big Pharma intensifica parcerias na Ásia. De GLP-1 para emagrecimento a conjugados anticorpo-fármaco, a lista de ativos licenciados cresce a cada trimestre, mostra levantamento da Reuters, reduzindo em até 40% o tempo médio de desenvolvimento.
Quase 30% de todos os medicamentos experimentais do mundo foram originados em laboratórios chineses em 2025, de acordo com a McKinsey.
Geopolítica, preço e acesso: por que o movimento importa para investidores
A biotecnologia figura como prioridade do Plano Made in China 2025, o que garante subsídios generosos, infraestrutura de ponta e um processo regulatório mais ágil. Na prática, isso significa moléculas novas chegando ao mercado até dois anos antes do ciclo típico nos EUA ou na Europa – um diferencial decisivo em terapias de alto tíquete.
Além da vantagem de tempo, os custos: enquanto um ensaio clínico de fase 1 nos EUA pode superar US$ 25 milhões, estimativas do setor apontam economias de 30% a 50% quando conduzido em polos como Suzhou ou Xangai. Para fundos de venture capital focados em saúde, esse gap de eficiência se traduz em maior retorno ajustado ao risco, principalmente num cenário de juros globais ainda elevados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images