Mineradoras e fundos globais aguardam sinal claro de Lima
Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) – Às vésperas das eleições de 12 de abril de 2026, a autoridade monetária mantém o câmbio estável, mas analistas alertam que a paralisia política já custou crescimento, renda e bilhões em novos projetos.
- Em resumo: a economia recuou 0,55% em 2023 e pode ficar abaixo de 3% neste ano se o impasse continuar.
‘Economia zumbi’: como o carrossel de presidentes trava o PIB
Desde a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, o Peru viu o oitavo presidente assumir em menos de oito anos, cenário que fez o crescimento potencial de 5% a 6% encolher para 2,3% na média pós-pandemia.
“O ministro da Economia dura, em média, sete ou oito meses; sem previsibilidade, o setor privado segura investimentos bilionários”, resume Diego Macera, do Instituto Peruano de Economia.
Impacto regional: preços do cobre e do ouro em jogo
Com as cotações internacionais dos metais perto dos maiores níveis em uma década, cada ponto de PIB perdido representa menos receita para obras públicas e menor demanda por fornecedores brasileiros de maquinário. Dados do Conselho Mundial do Ouro mostram que a exportação legal do metal movimentou US$ 11,5 bilhões em 2024, quase o mesmo que toda a agroindústria peruana em 2014.
O BCRP projeta alta de 2,9% para o PIB em 2026, mas a estimativa depende de um Congresso cooperativo e da permanência de Julio Velarde na presidência do Banco Central, pilar da credibilidade cambial desde 2006. Caso o próximo governo reduza a incerteza regulatória na mineração, bancos locais calculam aceleração imediata para 4,5%, com reflexos positivos no emprego formal e na arrecadação.
O que você acha? A nova gestão conseguirá tirar a economia peruana do “modo zumbi” ou veremos mais um mandato de promessas frustradas? Para outras análises sobre América Latina, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Ernesto Benavides via Getty Images / BBC News