Risco de novo abalo regulatório coloca investidores em estado de atenção
BNDES – Em declaração recente, o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, classificou a liquidação do Banco Master como “o maior crime financeiro da história do Brasil” e advertiu que o próximo grande escândalo deverá surgir no universo dos fundos de investimento, ampliando o temor de efeito dominó no sistema financeiro.
- Em resumo: Após a quebra do Banco Master, Mercadante aponta fragilidades que podem atingir diretamente os R$ 8,2 trilhões sob gestão dos fundos no País.
Fraude bilionária expõe falhas de supervisão
A ofensiva verbal de Mercadante mira o período em que Roberto Campos Neto comandava o Banco Central. Segundo dados compilados pela Reuters, o BC liquidou o Banco Master em novembro após detectar graves irregularidades contábeis e insuficiência de capital, deixando prejuízo que pode ultrapassar R$ 5 bilhões para credores e cotistas de debêntures.
“Este é só o primeiro ato; o próximo escândalo virá dos fundos de investimento”, frisou Mercadante, destacando que a supervisão regulatória “falhou de forma sistêmica”.
Por que os fundos viraram a bola da vez?
O alerta ganha peso em meio à migração recorde de investidores para produtos de renda fixa e multimercado, estimulada pela Selic de 10,50% ao ano. Historicamente, episódios como o da Lojas Americanas mostraram que uma súbita reprecificação de crédito pode corroer rapidamente carteiras alavancadas. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) já monitora sinais de estresse em mais de 120 fundos com alto grau de concentração.
No exterior, casos semelhantes geraram resposta regulatória imediata: depois do colapso do fundo Archegos, em 2021, os EUA apertaram as regras de disclosure para derivativos. Especialistas veem espaço para o BC e a CVM adotarem postura parecida, incluindo testes de estresse obrigatórios e limites de exposição a títulos pouco líquidos.
Se confirmada nova ruptura, o impacto não se restringirá aos cotistas. Bancos que distribuem esses fundos podem enfrentar perdas reputacionais e demandas judiciais, enquanto empresas investidas encararão encarecimento de capital. Na macroeconomia, um choque de liquidez ampliaria a pressão sobre a curva de juros, afetando financiamento corporativo e consumo das famílias.
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Crédito da imagem: Divulgação / BNDES