Nova fórmula exige lastro em títulos públicos e reduz blindagem fácil
Banco Central – Em resolução publicada recentemente, a autarquia endureceu as contribuições das instituições ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após o rombo de R$ 51,8 bilhões provocado pelo colapso do Banco Master e ligadas. A medida promete mexer no custo de funding de quem se apoia demais na proteção do fundo.
- Em resumo: bancos cuja captação coberta superar a qualidade dos ativos terão de comprar títulos públicos para cobrir o buraco.
Ativo de Referência: o novo “detector de risco”
Pela Resolução BCB nº 572 entra em cena o Ativo de Referência (AR), indicador que avalia liquidez, diversificação e transparência da carteira. Se o Valor de Referência (VR) das captações ultrapassar o AR, a diferença deverá ser aplicada em papéis do Tesouro – reforçando o colchão do FGC. Segundo especialistas consultados pela Valor Econômico, a fórmula aproxima o Brasil de modelos usados nos EUA e Europa, onde o seguro de depósitos já penaliza quem corre mais risco.
“O investidor continuará protegido, mas o banco pagará mais caro pela garantia se não provar qualidade de ativos”, resume Gustavo Rabello, do Souza Okawa Advogados.
Impacto direto no funding e no bolso do investidor
O gatilho para contribuição extra caiu de 75% para 60% das captações cobertas, pressionando principalmente médios bancos digitais que ofertam CDBs com taxas acima do CDI. Em um cenário de Selic a 10,50% e competição acirrada por liquidez, a decisão pode encarecer o custo desses papéis e reduzir o prêmio pago ao poupador.
Historicamente, crises bancárias como a do Master deixaram o FGC em xeque; em 2008, o fundo tinha menos de R$ 30 bi. O salto para R$ 120 bi no fim de 2025 foi consumido em 43% após a liquidação do grupo. A nova regra busca alinhar estratégia de captação ao apetite real de risco, evitando o chamado “risco moral” – quando o banco se sente blindado pela garantia integral de até R$ 250 mil por CPF.
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Crédito da imagem: Adobe Stock / FGC