Vendas arrefecem, inadimplência sobe e margens encolhem na região mais populosa do país
B3 – Um grupo crescente de companhias abertas revelou recentemente que o enfraquecimento do consumo no Nordeste já aparece nas linhas de receita, com reflexos diretos no lucro líquido e na provisão para devedores duvidosos.
- Em resumo: consumidores nordestinos compram menos, atrasam mais parcelas e sentem o peso dos juros em dois dígitos.
Ciclo de juros alto castiga poder de compra
Varejistas e prestadores de serviços que dependem de financiamento ao consumidor atribuem a desaceleração, em parte, ao patamar da Selic, ainda em dois dígitos. Segundo dados compilados pelo Valor Econômico, o custo médio do crédito rotativo no cartão já ultrapassa 440% ao ano, número que limita a demanda por bens duráveis.
Empresas listadas relatam que, só no segundo trimestre, a inadimplência média na região avançou 0,8 ponto percentual, superando o restante do país.
Nordeste responde por 27% da população e peso similar na receita
O alerta acende porque o Nordeste concentra cerca de 57 milhões de habitantes e representa mais de um quarto da base de faturamento de várias marcas nacionais. Em ciclos anteriores de aperto monetário, a região demorou até quatro trimestres para retomar o ritmo de compras, de acordo com levantamentos históricos da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Analistas lembram que o programa Desenrola Brasil, focado na renegociação de dívidas, pode mitigar parte da pressão sobre as famílias, mas o efeito deve ser gradual. Já os balanços do terceiro trimestre devem continuar refletindo margens comprimidas e maior seletividade no crédito, até que o Banco Central sinalize cortes mais robustos na taxa básica.
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Crédito da imagem: Divulgação / Exame