Previsão de perdas expõe fragilidade de um mercado que já vale US$ 1,8 trilhão
JPMorgan Chase – Na carta anual enviada aos acionistas na última segunda-feira (6), Jamie Dimon avisou que “o ciclo de crédito vai castigar mais do que o consenso imagina”, acendendo sinal vermelho para quem financia ou capta recursos fora dos bancos tradicionais.
- Em resumo: Dimon vê covenants frouxos e pagamentos diferidos (PIK) como estopim para perdas superiores às projetadas.
Covenants frouxos ampliam vulnerabilidade do setor
O presidente do maior banco dos EUA observou que, após uma década de juro baixo e regulação dura sobre grandes instituições, o crédito privado avançou rapidamente, muitas vezes sem a devida transparência. Esse diagnóstico ecoa o estresse recente em gestoras: a Blue Owl, por exemplo, limitou resgates depois de pedidos recordes de devolução, segundo a Reuters.
“Os padrões de crédito têm se enfraquecido modestamente em praticamente todos os setores”, escreveu Dimon, destacando o uso crescente de PIK e premissas “otimistas demais” sobre o fluxo de caixa dos tomadores.
Impacto potencial: de Wall Street ao bolso do investidor brasileiro
Embora Dimon descarte risco sistêmico imediato, o alerta chega num momento em que o Federal Reserve mantém os Fed Funds na faixa de 5,25%-5,50%, reduzindo a liquidez global. Se os defaults se materializarem, fundos de crédito privado podem precisar vender ativos às pressas, pressionando spreads corporativos nos EUA e, por contágio, os prêmios exigidos em emissões de debêntures no Brasil.
No câmbio, um estresse externo tende a fortalecer o dólar, o que poderia atrapalhar o esforço do Banco Central para levar a Selic abaixo de 9% ainda em 2024. Em 2020, durante a Covid-19, uma fuga semelhante de capitais empurrou o CDS brasileiro a 350 pontos; hoje, o risco-país ronda 160, nível que pode subir se o crédito privado americano balançar.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS