Negativa de Teerã amplia risco de escalada e assusta mercado de energia
Irã – A poucas horas do ultimato de Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz, Teerã recusou o cessar-fogo mediado pelo Paquistão, exigindo o fim total da guerra e o levantamento de sanções. A intransigência mantém o barril de Brent orbitando US$ 108 e acende alerta de inflação global, com impacto direto no bolso de motoristas e na curva de juros.
- Em resumo: Irã rejeita pausa nos combates, prazo de Trump vence nesta terça-feira, e fluxo de navios em Ormuz cai 90%.
Prazo de 45 dias naufraga; aliados correm para evitar retaliação
Fontes diplomáticas disseram à Reuters que Egito e Turquia tentam costurar um armistício de 45 dias para impedir ataques dos EUA à infraestrutura persa e eventuais mísseis iranianos contra produtores do Golfo.
Trump avisou que, “se Ormuz não estiver livre até 20h de terça-feira, usinas de energia iranianas serão alvo imediato”.
Estreito de Ormuz: gargalo que vale 20% do petróleo mundial
Historicamente, cada fechamento do corredor marítimo provoca saltos de até 15% no preço do barril, como ocorreu em 2019 após ataques a petroleiros. Hoje, apenas 15 navios cruzam a rota em 24 h, contra 150 antes da guerra, travando embarques de gás natural liquefeito do Catar e petróleo do Iraque.
O aperto de oferta levou a Arábia Saudita a precificar seu óleo para a Ásia com prêmio recorde de US$ 19,50 sobre benchmarks regionais. Analistas lembram que, em cenário prolongado, o repasse pode reacender pressões sobre índices de preços ao consumidor, forçando bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.
Petróleo caro e gasolina a US$4: fantasma eleitoral nos EUA
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina superou US$ 4 por galão, primeiro pico desde 2022. Com eleições legislativas em novembro, a escalada dos combustíveis ameaça a popularidade de Trump e renova discussões sobre uso das reservas estratégicas.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) incrementou cotas para maio, mas cortes involuntários no Irã, Kuwait e Emirados limitam alívio imediato. Segundo projeção da Agência Internacional de Energia, cada US$ 10 extras no barril pode adicionar 0,3 ponto na inflação global em 12 meses.
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Crédito da imagem: Divulgação / Record