Venda bilionária e disputa no conselho prometem destravar caixa
Hapvida – A maior operadora de saúde do país decidiu, recentemente, colocar à venda todo o seu braço no Sul e aceitar indicações da gestora Squadra para o conselho, movimento que tenta estancar a desvalorização de 67% dos papéis em 12 meses e reduzir a pressão de acionistas.
- Em resumo: ativos no Sul, avaliados em R$ 4 bi, estão na prateleira; três nomes da Squadra entram na disputa por vagas no board.
Pressão da Squadra acelera desinvestimento no Sul
A Hapvida contratou o BTG Pactual para negociar oito hospitais, 21 clínicas e uma carteira de 490 mil beneficiários herdados de Clinipam e Centro Clínico Gaúcho, aquisições feitas entre 2020 e 2021 por cerca de R$ 3,6 bilhões. Segundo o Pipeline, do Valor Econômico, a operação pode reduzir alavancagem regulatória e abrir espaço para retomada de dividendos.
Desde o IPO em 2018, as ações da companhia acumulam queda de 85%, enquanto o Ibovespa subiu 120% no período.
Família Pinheiro reforça controle; conselho muda de perfil
Paralelamente, os fundadores elevaram a fatia no capital de 41,5% para 51,3% por meio de derivativo com o BTG, consolidando o controle sem intenção declarada de fechar o capital. A assembleia de 30 de abril agora inclui três indicados da Squadra – Eduardo Parente, Tania Sztamfater Chocolat e Bruno Magalhães e Silva – em meio à adoção do voto múltiplo.
O embate ocorre poucos dias depois de Jorge Pinheiro anunciar que deixará a presidência executiva após 27 anos, cedendo lugar a Luccas Adib, atual CFO e diretor de tecnologia.
Impacto macro: inflação médica e consolidação setorial
A venda acontece num ambiente de inflação médica superior a 16% ao ano, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que pressiona margens de todo o setor. Em 2023, as 10 maiores operadoras do país registraram sinistralidade próxima de 86%, patamar que limita geração de caixa e incentiva consolidações.
Para investidores, a saída do Sul pode sinalizar foco em mercados onde a Hapvida tem histórico de rentabilidade superior, notadamente Norte e Nordeste, além de abrir caminho para renegociação de dívidas indexadas à Selic, hoje em 10,75% ao ano.
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Crédito da imagem: Divulgação / Hapvida