Energia encarece, inflação gruda e Federal Reserve perde espaço para afrouxar
Federal Reserve – A expectativa de que o banco central norte-americano começaria a reduzir os juros no início de 2024 perdeu força recentemente, à medida que o choque nos preços de energia sustenta a inflação e obriga a autoridade monetária a manter a taxa básica entre 5,25% e 5,50% por um período mais longo.
- Em resumo: mercado adia para o 2º semestre de 2024 o primeiro corte na Fed Funds Rate.
Petróleo perto de US$ 100 trava ciclo de afrouxamento
Com o barril de Brent orbitando os US$ 90, os contratos futuros de juros embutem prêmio maior para prazos longos. Segundo cálculos da Reuters, as apostas de que a taxa caia abaixo de 5% no primeiro trimestre do próximo ano despencaram de 60% para 25% em apenas quatro semanas.
Ferramenta do CME FedWatch mostra probabilidade de 64% de manutenção dos atuais 5,25-5,50% até, pelo menos, a reunião de junho de 2024.
Impacto no câmbio, bolsas e renda fixa global
Juros elevados por mais tempo tendem a fortalecer o dólar contra moedas emergentes e a pressionar os Treasuries de longo prazo, que já pagam perto de 4,7% ao ano — o maior nível desde 2007. No mercado acionário, o S&P 500 recuou cerca de 5% em setembro, enquanto o Nasdaq, sensível a tecnologia, caiu mais de 7% no mesmo período.
Para a América Latina, o movimento é duplamente desafiador: divisas locais sofrem com a fuga de capital e bancos centrais regionais ganham menos espaço para cortar suas próprias taxas, mesmo diante de crescimento fraco. No Brasil, por exemplo, o IPCA de 4,61% ao ano mantém o Banco Central em trajetória de afrouxamento cauteloso, mas a curva de DI já embute Selic acima de 9,5% em 2025, refletindo o cenário externo mais duro.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central dos EUA