Risco fiscal, guerra no Oriente Médio e Fed no centro do turbilhão
Tesouro dos Estados Unidos – Na manhã desta terça-feira, os rendimentos dos Treasuries de 30 anos tocaram 5,14%, nível mais alto desde 2007, reacendendo o debate entre aproveitar a “pechincha” de juros gordos ou fugir de uma possível escalada para além de 5,5%.
- Em resumo: rentabilidade recorde atrai, mas volatilidade histórica divide gestores globais.
Barclays e Goldman discordam sobre o ponto de entrada
Enquanto estrategistas do Goldman Sachs identificam “sinais de valor” e sugerem posições defensivas, o Barclays alerta que o rendimento pode avançar até 5,5%, patamar visto pela última vez em 2004, caso a inflação persista e o prêmio de prazo siga subindo.
“Os fatores que impulsionam a onda de vendas – deterioração fiscal, gastos com defesa, inflação persistente – não devem se resolver na próxima semana”, destaca Ajay Rajadhyaksha, presidente de pesquisa do Barclays.
Por que o mercado teme mais juros?
A combinação de déficits crescentes nos EUA, preços de energia pressionados pela guerra contra o Irã e a resiliência da atividade econômica sustenta expectativas de política monetária mais restritiva. Mesmo com negociações diplomáticas ensaiando trégua no Estreito de Ormuz, o petróleo segue acima dos níveis pré-conflito, mantendo vivas as apostas de que o futuro presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, terá pouco espaço para baixar juros em 2026.
Historicamente, picos de rendimento de longo prazo costumam antecipar desacelerações: em 2007, a taxa de 30 anos superou 5,2% meses antes da crise financeira. Hoje, porém, a BlackRock prefere ações a títulos soberanos desenvolvidos, justificando que a relação risco-retorno ainda favorece a renda variável em um cenário de inflação acima da meta de 2%.
No curto prazo, gestores como Gregory Peters, da PGIM, mantêm exposição abaixo da média em Treasuries, apostando que o prêmio de prazo deve aumentar antes de qualquer alívio. Para investidores brasileiros, o movimento lá fora pressiona o câmbio e pode impactar futuros cortes da Selic, já que o Banco Central costuma calibrar a política segundo o diferencial de juros.
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Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg