Pressão de bancos pode mudar controle da maior produtora de etanol do país
Raízen – A companhia de biocombustíveis recebeu recentemente uma nova proposta de reestruturação dos quatro maiores bancos do país, que ameaça redesenhar seu controle acionário e acelerar o desinvestimento de ativos na Argentina.
- Em resumo: Bancos pedem 30% do valor da venda de ativos e a saída de Rubens Ometto do conselho.
Credores querem fatia da venda na Argentina e nova governança
Segundo informações obtidas pela Bloomberg, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Itaú Unibanco condicionam o acordo ao uso imediato de 30% dos recursos obtidos com a alienação de operações argentinas para amortizar dívidas. Os bancos também reforçam a exigência de substituição de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan, da presidência do conselho.
“O plano coloca até 70% das ações ordinárias da companhia nas mãos dos credores, e esse percentual pode chegar a 90% se títulos e bancos aceitarem trocar 45% da dívida”, detalha fonte próxima às negociações.
Injeção bilionária da Shell e corrida contra os juros altos
Como parte do pacote, a Shell já concordou em aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto Ometto sinalizou R$ 500 milhões adicionais. O reforço de caixa é vital: o passivo total da Raízen soma R$ 65 bilhões, volume que ficou ainda mais pesado com a escalada da Selic para 13,75% ao ano. Juros elevados encarecem o serviço da dívida e comprimem margens em um setor que depende de altos investimentos – sobretudo em expansão de produção e logística de etanol e açúcar.
Historicamente, períodos de aperto monetário derrubam a alavancagem das empresas de commodities agrícolas no Brasil. Em 2015, por exemplo, usinas de cana viram o custo financeiro saltar 35% frente ao ano anterior, levando a uma onda de reestruturações semelhantes.
O que está em jogo para acionistas e mercado
Se aprovado, o plano pode diluir significativamente os atuais acionistas – inclusive a Cosan – e mudar a correlação de forças na companhia. Para investidores, o risco reside tanto na incerteza sobre governança quanto na velocidade de desalavancagem exigida pelos bancos. Em caso de impasse, a Raízen pode ter de evoluir de recuperação extrajudicial para um pedido formal de recuperação judicial, cenário que elevaria o prêmio de risco corporativo no setor sucroenergético.
O que você acha? A fatia exigida pelos bancos é justa ou penaliza demais os atuais sócios? Para mais análises sobre mercado financeiro, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Raízen