Estrutura triangular pode ser apenas um “ventifacto” polido por bilhões de anos de ventos marcianos
NASA – A agência voltou aos holofotes depois que arquivos de 2001, feitos pela Mars Global Surveyor, reapareceram nas redes sociais. As imagens mostram um bloco com três faces lisas no Candor Chasma, parte do gigantesco Valles Marineris, e reacenderam o debate sobre possíveis construções artificiais no planeta vermelho.
- Em resumo: o chamado “Candor Tetrahedron” tem 137 m de altura, 152 m de base e mantém ângulos quase perfeitos mesmo sob diferentes iluminações.
Da HiRISE à curiosidade popular: por que a ilusão persiste
Desde 2006, a câmera HiRISE a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter já registrou o afloramento cinco vezes, detalhando sulcos e fraturas compatíveis com erosão eólica. Ainda assim, a formação voltou a viralizar em março de 2026, quando o cineasta Brian Dobbins comparou a rocha a uma pirâmide egípcia em entrevistas e vídeos. Conforme reportagem da Reuters sobre geologia marciana, cientistas classificam o bloco como ventifacto: rocha moldada pela abrasão de partículas de areia impulsionadas por ventos que podem ultrapassar 100 km/h durante tempestades sazonais.
Estudos da própria NASA estimam taxas de desgaste entre 7,7 μm e 210 μm ao ano, suficientes para lapidar faces geométricas ao longo de centenas de milhões de anos.
Pareidolia, exploração espacial e impacto para futuras missões
O fascínio público pela “pirâmide” revela o poder da pareidolia – a tendência humana de enxergar padrões familiares em formas aleatórias – e lembra o famoso “Rosto de Marte” captado pela Viking 1 em 1976. Para missões futuras, compreender a ação do vento em Valles Marineris é essencial: superfícies mais planas podem facilitar o pouso de landers ou abrigar sinais de minerais hidratados, alvo de possíveis operações de mineração e de projetos de habitação humana que a SpaceX e outras empresas privadas ventilam para a próxima década.
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Crédito da imagem: Divulgação / NASA