Semana concentra decisões de juros e dados que mexem na inflação
Banco Central do Brasil — Na próxima quarta-feira (29), a autoridade monetária decide se mantém a Selic em 14,50% em plena “Super Quarta”, quando o Federal Reserve também define sua taxa de 3,75%. A combinação de juros elevados aqui e lá fora coloca o câmbio, a renda fixa e a Bolsa em compasso de espera.
- Em resumo: Copom e Fed anunciam juros no mesmo dia; IGP-M, IPCA-15 e dados de emprego completam a tempestade de indicadores.
Por que a “Super Quarta” pode sacudir seu portfólio?
Enquanto os investidores ajustam as apostas no mercado de futuros, dados compilados pela Reuters mostram que a curva de juros local já embute prêmio extra diante da incerteza externa. Qualquer surpresa no comunicado do Copom — sobretudo menção à inflação persistente — pode reforçar a migração para títulos indexados ao IPCA.
O Tesouro Nacional registrou resultado primário de R$ 72,5 bilhões em março, número que dá munição ao debate sobre espaço fiscal em meio a uma Selic de dois dígitos.
Indicadores chave antes e depois das decisões
O gatilho da semana aciona já na terça-feira (28) com o IPCA-15 de 0,99% e a confiança do consumidor dos EUA às 11h00. Horas depois, o Chile decide taxa de 4,50%, sinalizando a rota dos emergentes. Na quarta, além da Selic, sai o IGP-M de abril e as sondagens de comércio e serviços da FGV, termômetros essenciais para precificar repasses ao varejo.
Na quinta (30), os holofotes migram para o mercado de trabalho: o Caged projeta 164 mil vagas formais e a Pnad Contínua deve mostrar desemprego de 6,1%. Nos EUA, o deflator do PCE — medida de inflação preferida do Fed — e o PIB anualizado de 2,1% podem redefinir o apetite global a risco.
Historicamente, ciclos de aperto simultâneo em Brasil e EUA elevam a volatilidade cambial. Em 2015, por exemplo, o dólar subiu mais de 40% quando as duas economias caminhavam para juros maiores. Agora, com incertezas sobre crescimento, a atenção redobra.
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Crédito da imagem: REUTERS / Chris Wattie