Fraudes contábeis elevam a cautela em fundos de debêntures e mudam o jogo de alocação
RB Asset – A gestora independente com R$ 4 bilhões sob administração passou a tratar o risco moral como variável tão crítica quanto a saúde financeira das empresas, após uma sucessão de escândalos contábeis e pedidos de recuperação judicial que sacudiram o mercado de crédito privado recentemente.
- Em resumo: fraudes como a da Americanas colocaram governança no centro da análise de debêntures.
Do balanço ao bolso: por que o investidor deve se preocupar agora
O Co-CEO Marcelo Michaluá lembra que o gatilho veio em janeiro de 2023, com a inconsistência bilionária da Americanas—evento que mostrou como balanços podem mascarar riscos e dificilmente são precificados a tempo. Desde então, falências bancárias como a do Master e pedidos de proteção judicial de Raízen (RAIZ4), GPA (PCAR3) e Ambipar (AMBP3) reforçaram o alerta. Segundo levantamento da Reuters, resgates em fundos de crédito privado somaram R$ 12,3 bilhões entre 20 de março e 6 de abril, revelando fuga ao risco.
“A combinação da nota de crédito e a análise profunda de governança nos ajuda a elencar exatamente as empresas elegíveis”, afirma Michaluá.
Selic, spreads e diversificação: o tripé que explica o estresse atual
O aperto monetário brasileiro — a Selic saltou de 2% na pandemia para 15% projetados em 2025 — multiplicou o custo das dívidas indexadas ao CDI. Um papel emitido a CDI + 2% em 2020, por exemplo, viu sua taxa efetiva pular de 5% para cerca de 17%, criando descasamento entre ativos e passivos e elevando a inadimplência.
A RB Asset, cujo fundo RB Capital Debêntures Incentivadas FIC acumula 155,77% de retorno contra 145,48% do CDI em dez anos, reforçou duas regras: diversificação e casamento de prazos. A gestora mira debêntures ligadas a projetos de infraestrutura, consideradas mais defensivas, porém agora submetidas a filtros extras de governança e reputação na mídia.
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Crédito da imagem: Divulgação / RB Asset