Janela rara de rentabilidade acende alerta entre investidores de renda fixa
KLABIN – A produtora de papel e celulose virou símbolo da nova onda de prêmios gordos no mercado secundário de certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio. Recentemente, seu CRA 2029 passou a oferecer IPCA+7,9% ao ano, bem acima da taxa original de IPCA+3,5%, movimento que se repete entre várias blue chips do setor real.
- Em resumo: CRIs e CRAs de empresas “high grade” já pagam até IPCA+10,7%, superando qualquer título disponível no Tesouro Direto.
Papéis ‘high grade’ oferecem prêmio histórico
Além de Klabin, companhias como BRF, Marfrig, Minerva e Rede D’Or negociam títulos a IPCA+8% a +10,7% após o estresse de crédito gerado por reestruturações de Raízen, GPA e Oncoclínicas. Segundo levantamento da Reuters, o fluxo de resgates em fundos de crédito privado ultrapassou R$ 22 bilhões em abril, forçando descontos agressivos nos preços.
CRA BRF 2030: taxa de IPCA+10,2% ante cupom original de IPCA+5,6%, um salto de 4,6 pontos percentuais em poucos meses.
Selic alta e inflação pressionam spreads
Com a taxa Selic parada em 10,50% e as expectativas de IPCA acima de 4% em 2024, o prêmio exigido pelos investidores sobre títulos públicos subiu. Tesouro IPCA+ paga hoje perto de 7,0% ao ano, obrigando emissores privados – mesmo os de primeira linha – a oferecer patamares de dois dígitos para competir.
Historicamente, retornos tão elevados costumam vir acompanhados de maior volatilidade de preço. O investidor que vender antes do vencimento pode sofrer deságios, já que a remuneração extra é, na prática, um desconto embutido no valor de face.
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Crédito da imagem: Divulgação / InvestNews