Alterações no centro de recompensa do cérebro preocupam especialistas
Eli Lilly – A gigante farmacêutica encara questionamentos depois que usuários do fármaco experimental retatrutida, ainda em fase de testes clínicos, relataram perda de desejo sexual e “embotamento” emocional, repercutindo nas redes sociais e no mercado de saúde.
- Em resumo: Relatos indicam anedonia e queda de libido enquanto a droga avança nos estudos de obesidade.
Por que um emagrecedor pode afetar a vida sexual
Assim como outros análogos de GLP-1, a retatrutida atua no sistema mesolímbico – circuito cerebral responsável por fome, prazer e motivação. De acordo com levantamento da Reuters, fármacos dessa classe movimentam um mercado que pode superar US$ 100 bilhões na próxima década.
“Estamos no meio de um enorme experimento”, resume o neurocientista Paul Kenny, do Instituto Icahn, ao comentar a lacuna de dados sobre impactos comportamentais.
Impacto potencial para investidores e pacientes
O debate ocorre num momento em que a OMS aponta que 1 em cada 8 adultos já vive com obesidade. Uma medicação que entrega forte perda de peso, mas compromete a libido, pode esbarrar em adesão e, por consequência, em projeções de receita – tema sensível para acionistas da Eli Lilly, cujas ações subiram mais de 80 % desde o início da corrida pelos antiobesidade.
Especialistas alertam que a queda de dopamina, possível efeito colateral, interferiria não só no desejo sexual, mas também em humor e vínculo social. Caso confirmado, o risco de abandono terapêutico aumenta, elevando o custo de aquisição de pacientes e pressionando margens quando o medicamento chegar ao mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / FreePik