Investimento mira fibras de bactérias e resíduos agrícolas para frear microplásticos
Bezos Earth Fund destinou recentemente US$ 34 milhões para universidades dos EUA acelerarem a pesquisa de tecidos que possam aposentar algodão e poliéster, dois pilares da moda que pesam no bolso do planeta.
- Em resumo: verba foca em fibras cultivadas em laboratório, promessas de mercado em até 5 anos.
Moda poluente: por que o dinheiro de Bezos chegou agora
A indústria do vestuário responde por cerca de 10% das emissões globais de CO₂, segundo estimativa da ONU. Parte do problema está no poliéster, derivado de petróleo e presente em 54% das roupas vendidas no mundo, aponta um relatório da Reuters. Ao financiar pesquisas na Columbia, Berkeley e outras instituições, o bilionário quer destravar processos que gerem fibras biodegradáveis, sem microplásticos nem “químicos eternos”.
“O uso de combustíveis fósseis na indústria da moda é um grande problema”, reforçou Tom Taylor, CEO do fundo, ao detalhar a estratégia de colocar as novas fibras nas prateleiras entre 2028 e 2030.
Escalar é caro, mas o potencial de mercado é bilionário
Hoje, startups de tecidos sustentáveis gastam até 5 vezes mais para produzir um metro de fibra do que tecelagens convencionais. O aporte do fundo chega em momento crítico: em 2025, a União Europeia deve aprovar regras que responsabilizam marcas por resíduos têxteis, elevando custos de quem insistir em sintéticos tradicionais. Caso os novos materiais ganhem escala, analistas veem um mercado adicional de US$ 60 bilhões até o fim da década, aliviando a pressão sobre investidores expostos a empresas de fast fashion.
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Crédito da imagem: Divulgação / Bezos Earth Fund