Custos explodem enquanto exportações encolhem no Cinturão Agrícola
Associação de Soja de Nebraska — Produtores norte-americanos entram na safra de primavera pressionados por insumos mais caros, tarifas de até 25% sobre vendas para a China e pelo choque de oferta que mantém a saca de soja em patamar historicamente baixo, segundo dados de TRANSMISSÃO: Record.
- Em resumo: tarifaço imposto em 2025, guerra no Irã e preferência chinesa pelo Brasil criam combinação que já provoca perdas de US$ 75 por acre.
Tarifas de Trump e conflito no Irã viram o jogo contra o produtor
O pacote tarifário anunciado por Donald Trump em abril de 2025 encareceu a soja americana na Ásia, abrindo espaço a concorrentes. A retaliação de Pequim praticamente zerou as compras dos EUA, derrubando preços e receita. Paralelamente, a escalada militar no Oriente Médio cortou o fluxo de fertilizantes nitrogenados pelo Estreito de Ormuz, disparando os custos para quem também cultiva milho — insumo cujo valor subiu mais de 40%, de acordo com levantamento da Reuters.
“Há grandes estoques globais, e isso baixou os preços”, observa Chad Hart, economista agrícola da Universidade de Iowa, citando excedentes que mantêm a cotação entre 15% e 20% abaixo do esperado.
Brasil ganha fôlego e distancia EUA no ranking global
Ao migrar parte das suas 25 milhões t de demanda anual para o Brasil, a China consolidou a liderança brasileira na produção mundial de soja — posto atingido em 2023 com safra recorde de 155 milhões t. O avanço brasileiro pressiona cotações em Chicago e reduz a participação dos EUA abaixo de 30% do mercado internacional, menor fatia desde a década de 1990. Analistas lembram que o dólar forte e o prêmio negativo nos portos americanos agravam o quadro, enquanto o câmbio acima de R$ 5 garante margem ao produtor brasileiro.
No campo financeiro, a combinação de custos ascendentes, terra mais cara e receita cadente já elevou pedidos de recuperação judicial de fazendas americanas em 2024-2025, segundo a Morningstar. Caso o petróleo permaneça acima de US$ 90 e as tarifas não sejam revistas, projeções indicam nova onda de falências até 2027.
O que você acha? A reabertura do mercado chinês seria suficiente para salvar a rentabilidade dos sojicultores americanos? Para acompanhar análises do setor, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
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