Tensão militar aumenta risco de choque de oferta no Golfo Pérsico
Estados Unidos – Ao renovar o prazo para que Teerã aceite um acordo de paz e reabra o Estreito de Ormuz, o presidente Donald Trump advertiu que “o inferno” pode começar em 48 h, mirando diretamente a infraestrutura energética iraniana e, por tabela, o bolso de quem depende de combustíveis.
- Em resumo: Washington ameaça bombardear instalações de energia do Irã, o que pode elevar ainda mais o preço do barril de petróleo.
Estreito de Ormuz no centro do tabuleiro
Pelo corredor marítimo que separa o Irã dos Emirados Árabes Unidos passam cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, segundo a Reuters. Qualquer restrição à navegação tende a provocar gargalo imediato de oferta. A simples retórica de Trump já fez o Brent flertar com altas recentes, lembrando o salto de quase 15% visto após o ataque às refinarias sauditas em 2019.
“48 horas antes que o inferno desabe sobre eles”, escreveu Trump nas redes, reforçando que ataques a alvos civis de energia serão inevitáveis se não houver recuo iraniano.
Impacto potencial: inflação e ativos de risco
Nos últimos cinco anos, todo choque de petróleo acima de US$ 10 por barril adicionou, em média, 0,4 ponto percentual à inflação dos Estados Unidos e da zona do euro, segundo dados do FMI. Caso o estreito fique fechado, analistas estimam que o barril possa ultrapassar a marca psicológica de US$ 100, ampliando pressões inflacionárias num momento em que bancos centrais ainda calibram o pós-pandemia.
Para investidores, o cenário reforça a busca por proteção em ouro e dólar, enquanto mercados emergentes, tradicionalmente mais sensíveis a commodities e fluxo de capitais, podem sentir saída de recursos. O sinal amarelo já pisca em bolsas de países importadores líquidos de energia, como Índia e Turquia.
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Crédito da imagem: Divulgação / Band