Bloco fechado ganha poder de veto e mira decisões cruciais da companhia
CVC – A operadora de viagens comunicou, em fato relevante, que o fundo GJP (ligado a Gustavo Paulus) e a gestora Apex/Carbyne firmaram um acordo de acionistas que concentra 35,5% do capital e dá prioridade de comando à família Paulus, alterando o equilíbrio de forças no conselho e no free float.
- Em resumo: nova aliança pode dispensar OPA e traz direito de veto a mudanças em dividendos, estatuto e eventual recuperação judicial.
Como funciona o novo pacto societário
Pelos termos assinados, a GJP – detentora de 106,8 milhões de papéis (20,3%) – enviará recomendações de voto à Apex/Carbyne, que possui 79,97 milhões de ações (15,2%). Na prática, a família Paulus passa a liderar as decisões estratégicas, enquanto a Apex preserva veto sobre temas considerados sensíveis, segundo documento da companhia divulgado à CVM e repercutido pela Reuters.
O grupo controlador poderá indicar a maioria das cadeiras se eleger de dois a seis conselheiros; hoje o board tem cinco membros e acaba de registrar a renúncia de Tiago Ring, representante da Absolute Investimentos.
Para avançar, a assembleia extraordinária precisará aprovar a dispensa de oferta pública de aquisição (OPA), prevista no estatuto quando há alteração de controle. Caso o quórum seja atingido, o rearranjo entra em vigor imediatamente.
Pressão nas ações e cenário macro desafiador
O movimento acontece num momento de fragilidade do papel: desde que a Absolute passou a reduzir posição, as units CVCB3 acumulam queda de 26% – reflexo de margens comprimidas no 1º tri, custo de combustível aéreo atrelado ao petróleo e câmbio mais forte. Analistas lembram que, historicamente, eventos esportivos globais como a Copa do Mundo deslocam parte do gasto doméstico para destinos internacionais de última hora, reduzindo a procura por pacotes estruturados.
Segundo o Banco Central, o dólar já sobe 6% em 2024, o que pressiona preços de voos e hotéis. Para mitigar riscos, a nova gestão encabeçada por Fabio Mader, empossado em janeiro, promete ampliar canais digitais e renegociar acordos com cias aéreas – estratégia que, se bem-sucedida, pode recuperar a margem Ebitda que saltou de 14,9% para 31,9% entre 2023 e 2025, conforme projeções internas.
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Crédito da imagem: Divulgação / CVC Corp